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União das freguesias de Arco de Baúlhe e Vila Nune

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Historial

Historial

Freguesia localizada na orla Sudeste do território cabeceirense, Arco de Baúlhe é também Vila desde 20 de Junho de 1991. Fazendo fronteira, a Nascente, com o concelho de Mondim de Basto, confina pelas restantes partes com as vizinhas e congéneres Vila Nune (a Sul), Santa Senhorinha e Faia (a Ocidente) e ainda a Pedraça (a Norte). Topograficamente é uma área pouco acidentada, mais ou menos baixa e plana, em encosta de suave pendor. Aos pés corre-lhe o pequeno Rio Peio, onde uma ponte de um só arco, conhecida por Ponte Velha, terá provavelmente sido a responsável etimológica do topónimo “Arco”, como Pinho Leal e Augusto Vieira aventaram já. O articulista da “Grande Enciclopédia”, embora não desprezando esta versão, sugere a hipótese de ter sido um desaparecido arco funerário, do tipo “memorial”, a dar origem ao topónimo, um tanto posterior ao remoto “Baúlhe”, afinal a designação paroquial primitiva (e supostamente radicada num genitivo de antropónimo árabe “Bahalul”). Nas “Inquirições” de 1258, por exemplo, surge esta paróquia designada “Sancti Martini de Baauli”. Por esta altura, andava em demanda o padroado da Igreja entre o Mosteiro de Refojos e D. João Correia (tio do famoso Mestre de Santiago, D. Paio Peres Correia). A arqueologia não tem revelado, tanto quanto saibamos, a presença de remotas ocupações pré-históricas ou mesmo já do domínio romano, que as deve ter conhecido por certo. “Paço” e “Quinta”, topónimos que se registam na documentação baixo-medieval, aludirão a edificações habitacionais e propriedades de carácter senhorial, daquela época ou ligeiramente anteriores. Os historiadores locais Alexandre Vaz e Victor Cunha, referem que esta freguesia andou partilhada, até 1834, por duas Províncias (Minho e Trás-os-Montes) e outros tantos concelhos (Cabeceiras e Atei de Basto, antiga e extinta circunscrição). O lugar do Arco, actualmente classificado de Vila, constitui-se desde cedo como o principal núcleo urbano da freguesia, ali se concentrando actualmente cerca de 90% da respectiva população paroquial. Por lá passava a antiga “estrada real”, tendo entretanto adquirido fama (pelo menos nos séculos XVIII e XIX) as suas óptimas estalagens.
O visitante demanda à Vila do Arco de Baúlhe, proveniente da vizinha Vila Nune. Faz a sua primeira paragem junto à Casa da Portela, à sua direita e junto à estrada nacional. Perto do edifício solarengo ergue-se a Capela de Santo António da Portela, por a que é já referida por X. Craesbeeck (cerca de 1726) e, poucos anos depois, no “Dicionário Geográfico” organizado por Luís Cardoso. Largo Dos Repuxos


Logo adiante deparará o visitante com o casario da Vila, apreciando então um amplo largo triangular, onde se inclui um lago com repuxos. Trata-se do Largo da Serra, com espaços de lazer e comércio. Ao fundo e em posição levemente elevada, nota-se um singelo templete e, mais distante, o amplo edifício da Escola Primária (ou de ensino básico, como agora se diz). De referir ainda a Escola EB 2,3 de Arco de Baúlhe. Vale a pena efectuar nova paragem junto à Capela da Senhora dos Remédios, na avenida principal. O templo datará talvez de Igreja Srª dos Remédiosinícios do século XVIII, referindo Craesbeeck que era então (1726) do Capitão Costa Maia, que ali possuía seu jazigo. Pelo último quartel do século XIX já ali se realizava, nos dias 7 e 8 de Setembro, uma concorrida romaria (J. A. Vieira). Na frontaria do templo aprecia-se um nicho com a imagem pétrea da Padroeira e, em estreita ruela que mesmo ao lado se inicia, pode o visitante apreciar uma interessante fonte com carranca, bem assim como umas curiosas “Alminhas” datadas de 1823. Mesmo defronte à capela, do outro lado da principal via do pequeno Burgo, ergue-se uma austera casa solarenga armoriada. Aqui se fende a artéria, dado origem à Rua Arco de Baúlhe, por certo a de mais recuado traçado (pelo menos a crer nos edifícios solarengos de traça setecentista ou oitocentista que por ali apreciam). Esta será, aliás, a principal vertente do património edificado desta freguesia, merecendo realce a Casa da Capela (do século XVIII), a do Arrabalde, de Cimo de Vila, da Quintã, de Fundo de Vila e outras já mencionadas. A capela de “São Igreja de S.MartinhoFrancisco e Triumpho da Cruz”, era já arrolada por 1723. Em 1758 era administrada pelo Padre João Vilaça.
A Igreja de São Martinho de Arco de Baúlhe fica um tanto afastada do centro da Vila, assentando em posição mais elevada Augusto Vieira di-la “um pouco acima do logar em que fica a hospedeira” (que não existe já), atribuindo-lhe a fundação no ano de 1700. O edifício, de consideráveis proporções, terá sofrido porém uma reforma por volta de 1790, sendo-lhe adossada a torre sineira actual por 1865. Craesbeeck conheceu-a antes destas transformações, deixando registada a existência de doze campas no pavimento interior, duas delas datadas de 1719. Nas “Memórias Paroquiais” de 1758 refere-se, para além do altar mor, os laterais do Menino Jesus e Senhora do Rosário, bem assim como a capela do Santíssimo e o altar de Santo António.
Rua do ArcoDesce o visitante em direcção ao pequeno Rio Peio, afluente da margem direita do Tâmega, com o fito de apreciar a vetusta ponte de um só arco de cantaria, conhecida por Ponte Velha. É difícil datar estas estruturas, pois as técnicas construtivas perduraram muitos séculos, mas é natural que já não seja a primitiva ponte medieval, dada a perfeição das respectivas aduelas. Num remanso o riacho pareceu ao visitante vislumbrar fugidia truta. Nas “Memórias Paroquiais” de 1758 vem noticiado um curioso pesqueiro, situado “entre duas cachoeiras”, com desnível de uns “dez a onze palmos”. Porque ali acorresse grande quantidade de peixes (bogas, barbos, escalos e trutas), intentando subir a correnteza, se armava uma “rede de arco”, logrando por vezes avultadas pescarias.
Até há coisa de uma dezena de anos atrás, ainda se ouvia o silvo agudo dos comboios da Linha de C. F. do Tâmega. Arco de Baúlhe era a estação terminal, agora convertida em Museu das Terras de Basto, a partir do momento em que as “automotoras” da “linha estreita” passaram a deter-se por Amarante.

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